jul 26

Seguidores do Blog Radha Raman, hoje vocês conheceram um pouco sobre Udaipur. Porém, conhecerão sobre a ótica da Paola, uma viajante muito 10 que escreveu sobre a cidade. Colocarei os trechos mais interessantes sobre a visita à cidade, mas quem quiser ler tudo, entrem pode www.profissaoviajante.wordpress.com.br.

 

“[...] chegamos a Udaipur… pegamos nossas malas do porta malas do ônibus e estavam cobertas de poeira. Não se podia esperar menos tendo em conta a estrada por onde viajamos. Pegamos um rickshaw e fomos para o hotel. A primeira impressão de Udaipur foi ótima! Quando nos aproximamos do centro, nos encontramos com ruas estreitas, cheias de lojinhas e muitos turistas caminhando. Já se vê que chegamos à “Veneza do Oriente”.

[...] Fomos para o Palácio Real, de onde sai um passeio em barco pelo Lago Pichola. Pegamos um dos últimos barcos  para ver o pôr do sol. O passeio permite boas vistas do palácio e dos Ghats do lago. O passeio inclui uma parada na Ilha de Jagmandir, pequena ilha localizada no meio do lago onde há um palácio que hoje em dia alberga um restaurante e café. As vistas da ilha são muito bonitas, com a cidade e Palácio Real ao fundo. Vale a pena fazer esse passeio em barco e se, possível,  ao entardecer. Voltamos para o ponto de saída no Palácio Real e ficamos por alí para aproveitar o por do sol. Visual maravilhoso! Alimento para a alma!

[...] Mustapha (o motorista/guia) é uma pessoa bem simpática e que nos contou bastante sobre a cidade e mesmo sobre sua vida na Índia. Primeiro nos levou para o Sunset Point, que é um jardim numa parte elevada da cidade e de onde se podem ter boas vistas da cidade e do lago Pichola. Depois nos levou para um templo hindu, onde não conesguimos tirar fotos pois queriam nos cobrar 100 rupias para entrar com máquinas fotográficas. O templo era bonito, mas estava sendo reformado e só estávamos nós por lá.

No caminho para a próxima atração passamos pelo mercado da cidade, onde lojas e barracas dividem espaço nas estreitas ruas com as pessoas, os carros e as motos. Os mercados indianos reúnem uma mistura de cores, olores e muita confusão, mas são o melhor local para conhecer um pouco mais da cultura local. Se tiver paciência para enfrentar a multidão de gente, vale a pena deixar-se perder pelas ruas do mercado. Mesmo que não tenha a intenção de comprar. Depois do mercado, fomos para o cemitério da família real de Udaipur. O lugar é impressionante, com muitos mausoléus brancos  de arquitetura rajputa. A entrada é gratuita e tirar foto é proibido (a não ser que você “deixe” 10 rupias por pessoa para o segurança).

Seguindo, fomos para uma escola de arte, mantida pelo marahaja de Udaipur, onde nos explicaram detalhadamente o processo de pintura miniatura (técnica típica do Rajastão). O trabalho é realmente muito detalhado e bonito e a explicação da técnica utilizada também é bastante interessante. Nos empolgamos com as demonstrações e decidmos comprar uma pintura por 3000 Rúpias (60USD aprox) e a noite descobrimos que no centro podíamos comprar uma similar por 600 Rupias!!!! Coisas de turista quando se esquece que está na Índia e que aqui o melhor lugar para comprar é nos mercados de rua (com certeza o ítem comprado será uma mera imitação, mas para olhos pouco treinados a diferença é mínima).

Bom, a próxima parada foi o Bhartiya Lok Kala, um pequeno museu sobre a cultura rajastã, onde se pode aprender um pouco mais sobre as crenças das pessoas dessa região, folclores, danças, etc. Nesse museu há uma pequena apresentação de marionetes (algo típico do Rajastão também). O museu é um pouco pobre e deixa a desejar. Na volta para o hotel aproveitamos para parar novamente no mercado de Udaipur para tirar algumas fotos e caminhar pelas ruas locais. E depois voltamos para o hotel, onde jantamos no restaurante do topo do hotel.

 Hoje o dia foi mais de descanso pois tínhamos que esperar o trem que saía à noite para Jaipur. Acordamos tarde e tomamos um café com toda a tranquilidade no restaurante do hotel. Em seguida fomos para o Templo de Jagdish, que está situado bem próximo ao hotel. A arquitetura do templo é bastante interessante. Com figuras de animais esculpidas nas paredes. Muito bonito.

[...] Ficamos algum tempo por alí e depois aproveitamos para dar um passeio pelas ruas da cidade. De repente, nos encontramos com uma carreata de um casamento. Esta é a época de casamentos na Índia (que vai de novembro a fevereiro) e o ritual é que o noivo vá em um cavalo ou elefante, levando um menino no colo até o local do casamento, seguido a pé pelas mulheres e músicos que vão tocando durante o trajeto.  E foi justamente esse cortejo que encontramos.  Em um momento nos vimos envolvidos pela cultura local. Pessoas no meio de seus rituais típicos, misturados com turistas curiosos e gente local  . Uma mistura incrível. Algo alucinante e único!

 

 

 

Escrito por Marina Tomaelo Bonilha \\ tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

mai 28

Embora os “dalits” pertençam às castas mais baixas da Índia, o sucesso empresarial de um grupo de “intocáveis” conseguiu diminuir o preconceito e servir de modelo para cerca de 200 milhões de indianos de sua origem. O surgimento de empreendedores “intocáveis”, um fenômeno que cada vez mais monopoliza a atenção da sociedade e dos meios de comunicação do país, gerou um debate sobre se o sucesso econômico de centenas de empresários exemplifica ou não uma mudança na situação de milhões de dalits (“oprimidos” em idioma sânscrito).

Esta comunidade faz parte de um sistema hereditário e tradicional de estratificação onde se encontra no nível mais baixo de um conjunto de castas hindu, realidade que os situa no segmento mais desfavorecido da população.

Embora a Constituição nacional, promulgada em 1950, proíba qualquer discriminação por razão de casta, os “dalits” são objeto de frequentes abusos e maus-tratos, sobretudo nas zonas rurais, onde costumam ser os responsáveis por tarefas consideradas impuras, como limpar banheiros e recolher lixo. “Desde que me tornei bem-sucedido parece que esqueceram da minha origem, me respeitam porque tenho dinheiro”, afirma Milind Kamble.

O indiano figura os primeiros postos de uma lista de “intocáveis” ricos publicado pela revista “Outlook”, graças a sua empresa de construção, que fatura ao ano cerca de R$ 36,7 milhões.

Kamble, cujo sobrenome é inequivocamente “dalit”, conseguiu vencer na vida apesar de sua origem. “Consegui graças a possibilidade de adquirir uma boa formação, mas muitos amigos de infância não tiveram essa sorte”.

Um dos grandes problemas para as castas mais baixas é a falta de acesso à educação média e superior, que deixa o grosso da população de “intocáveis” com formação suficiente para apenas ser mão-de-obra barata e não qualificada. “A maioria deixa a escola e os que não estudam costumam seguir o campo de humanidades, o qual os separa dos setores econômicos responsáveis pelo crescimento na Índia”, afirma a professora universitária e especialista em castas Vidhu Verma.

O Estado estabeleceu um sistema de cotas em serviços e empregos públicos reservados às castas mais baixas para compensar uma discriminação histórica, mas o setor privado foi majoritariamente indiferente à integração dos “intocáveis”. “A liberalização econômica iniciada pela Índia a partir de 1991 refletiu em uma abertura que deu espaço para os pequenos empreendedores e alguns “dalits” souberam aproveitar a oportunidade”, explica Vidhu. “Eu comecei ganhando 800 rúpias (R$ 27,5) por mês em uma empresa de fotocopiadoras, mas vi que com garra podia progredir e me esforcei, até que em alguns anos me tornei o funcionário mais bem pago da empresa” explica N.K.Chandan, outro membro da lista de “dalits” bem-sucedidos. “Um dia vi que meu chefe, de uma casta superior, já começava a compartilhar a comida do meu prato”, explica Chandan se referindo a uma arraigada tradição que impede outras castas de compartilhar a comida ou a bebida de um “intocável”.

“Provavelmente a quantidade de dalits milionários e donos de empresa ainda não seja significativa, mas serve de modelo para outros de seu grupo que passam a se dar conta de que há possibilidade de superar os estigmas das castas inferiores”, afirma Vidhu Verma.

“Durante anos nós esperávamos que as castas superiores e o estado nos libertassem, mas agora vemos que nós é que temos que fazer isso”, disse o ativista “dalit” Chandrabhan Prasad. Sua enorme lista de empreendedores “intocáveis” ajudou a criar uma associação de empresários das castas mais baixas. “Nós somos os primeiros que temos que acreditar – afirma o empresário Milind Kamble -, nossa comunidade tradicionalmente se opôs ao capitalismo, mas temos que vencer os obstáculos e os medos”.

A sociedade de castas está longe de desaparecer na Índia, um país profundamente tradicional em alguns aspectos, “mas é importante que haja exemplos que incentivem outros a romper com determinados estereótipos”, disse Vidhu.

Fonte: agência EFE

Escrito por Marina Tomaelo Bonilha \\ tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

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